O regresso de scorsese está para breve
Ok, está feito. O Óscar foi entregue a Scorsese. A academia matou um dos seus mitos e Scorsese não ficará ao lado de Hitchcock ou Kubrick como exemplo da imbecilidade académica. Só que um Óscar vale o que vale. Sejamos realistas: o Óscar não oferece bilhetes para a eternidade, a não ser que você seja a Hillary Swank e aproveite a ocasião para dissertar sobre as dificuldades de vida de uma rapariguinha white trash. Mas ninguém quer ser Hillary Swank. Nem você. Toda a gente quer ser Scorsese. Vejam o di Caprio a falar do mestre. Vejam como o lábio inferior treme. Como ele inventa, a cada entrevista, maneiras novas de dizer que o mestre é o melhor, que não há outro como o Ok. Deram o caneco ao homem. Mas o que a malta quer mesmo é que Scorsese volte a fazer filmes. Agora, que acabou a maldição, um pedido ao Dom Scorsese: Volte a fazer filmes. Só quem não viu “Infernal Affairs” é que pode pensar que "Entre Inimigos" é bom. Não é. Não nos parâmetros de qualidade de Scorsese, que são os parâmetros que servem para avaliar os filmes de Scorsese. Se "Entre Inimigos" fosse um filme, por O que a malta gostava mesmo era de ver o regresso do velho Scorsese. Aquele que amava as personagens e as suas obsessões e que se marimbava para o guião clássico. Queremos o Scorsese da rua. "Entre Inimigos" já foi um regresso às ruas. Mas aquelas ruas estavam fora de validade. Em “Entre Inimigos”, Scorsese (tal como nos seus últimos filmes) quis trabalhar um enredo, um argumento; coisa que não encaixa com o seu génio. O talento de Scorsese não pode ficar preso a um argumento XPTO, a um argumento que aprisiona as obsessões das personagens dentro de uma narrativa escorreita, sim senhora, mas que não é Scorsese. O artifício do argumento é coisa de Hitchcock. Hitchcock aprisionava as personagens no seu cinema totalmente artificial. O génio de Scorsese é de outra espécie. É o génio inverso: é o génio de deixar a personagem à solta, sem o artifício do argumento a aprisioná-la. Dos filmes de Scorsese diz-se que são "character driven" porque a narrativa obedece às personagens e não aos truques do argumento. As personagens não estão submetidas às necessidades da intriga, seguem apenas as suas pulsões, quase sempre auto-destrutivas e em busca, sem o saberem, da muito católica ideia de redenção. É este Scorsese que agora pode regressar. O verdadeiro Scorsese parou em 1995. A estatueta foi para o falso. Mas obrigado na mesma. Scorsese segue dentro de momentos. Etiquetas: dupla hassan - marcelo
mestre, que ele, di Caprio, está disposto a fazer filmes de merda desde que possa sentir o hálito sagrado do mestre.
exemplo, de Iñarritú, seria bom. Mas, sendo de Scorsese, é mau. É um filme preguiçoso. É uma simples transposição para um ambiente reconhecível (aos olhos do espectador ocidental) da trama original construída em Hong-Kong.
[Bruno Vieira Amaral e Henrique Raposo]
Henrique Raposo
|
23:56
|





