O gatofedorentamento de Portugal
É claro que o país existe desde sempre, qualquer país, com os seus gatosfedorentos potenciais. Há uma ideia de comportamento que quando é emoldurado pelo humor faz disparar o sentido de ridículo. Como um jacto de vómito, sabemos bem o que é, mas é difícil descrevê-lo. Etiquetas: gato fedorento
Convém lembrar que o riso é uma descarga física, do corpo, sobre um paradoxo de sentido criado no cérebro.
Rir, achar graça, achar piada, é ser capaz de reordenar as ideias e o pensamento. Sem essa nova ordem – sem essa digestão da situação de humor – não há riso ou gargalhada que brote.
O Gato Fedorento, enquanto conjunto de autores que cria humor, procura situações cujo corolário seja o riso físico (a mera gargalhada interior não chega).
Imagino que eles, enquanto autores, prefiram que seja essa a sua força maior. Ser autor costuma ser mais valorizado que ser actor.
Mas ponho outro dado na equação.
E se a parte do humor chega pelo lado físico, de eles serem quem são?
Não falo só de Ricardo, um extraordinário actor cómico. Por exemplo, Tiago Dores, com o seu acting, reforça e muito os segmentos dos Tesouros Deprimentes.
Atrevo-me a dizer que neste último programa, aquele segmento sobre Paulo Portas teria ficado melhor se fosse Tiago a fazer de cicerone das mudanças.
Será que o Gato Fedorento é o melhor humor que temos no momento, por causa do texto ou por causa do acting?
Seguramente por causa dos dois.
E no futuro?
PBM
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15:06
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