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quarta-feira, janeiro 31, 2007

 

O maior tuga de sempre


Henrique Raposo | 22:07 |

 

Momento idiota do dia

Por que razão tenho esta mania idiota de escrever Bysmarck? A maneira correcta é Bismarck. Mas por que carga de água, depois de mil correcções, depois de um susto (há dias, num dos últimos fechos da Atlântico), continuo a escrever Bysmarck? Assim de repente, deve ser porque com o y a coisa fica mais gira. Ou então, é porque 2 terços do que leio é em inglês. E, verdade seja dita, system é bem mais engraçado do que sistema.

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Henrique Raposo | 21:30 |

 

Realidade



Este episódio referente às declarações de Manuel Pinho na China, onde afirma que os baixos salários em Portugal são uma mais-valia para o investimento em Portugal, revela bem o tipo de oposição que temos. Uma oposição fraquíssima e sem ideias, que apenas com um deslize, por parte de um ministro, é capaz de sobressair na comunicação social e ter tempo de antena.

Mas voltando à declaração do Ministro da Economia, aparentemente, este foi um dos cinco argumentos, dados por Manuel Pinho, para que os empresários presentes investissem em Portugal. Não conheço os outros, mas duvido que sejam tão bons quanto este. É que embora esta afirmação seja um erro político, isso não invalida a sua veracidade. Este governo até agora não propôs nada que alterasse significativamente as condições que fazem Portugal um mau país para investir. Continuamos com um mercado laboral rígido, completamente dominado pelos sindicatos e com uma componente fiscal excessivamente alta. É triste, mas só mesmo os maus salários dos Portugueses para manter este país à tona...

Bruno Gouveia Gonçalves | 21:25 | 37 comments

 

Um ditador em 30 segundos

Na Venezuela, o nosso Huguinho Chávez oficializa a ditadura socialista. Vai governar por decreto por 18 meses. E prepare-se para ser presidente vitalício.
O que diz o nosso Telejornal? Relata o assunto da forma mais seca possível, como se estivesse a falar de uma colmeia de térmitas no Botswana. E em 30 segundos. É a mesma TV que, de vez em quando, entra em delírios anti-americanos e pró-europeístas. Para uns, há completa neutralidade. Para outros, parcialidade é um dever.

Repare-se no que dizia a peça: “os adversários de Chávez afirmam que Chávez está a instaurar uma ditadura”. Ou seja, o carácter ditatorial de Chávez não é um facto para a RTP. Ditadura na Venezuela? Não, isso é matéria de opinião, da opinião dos adversários - os ricos, os opressores. Depois, Chávez aparece, logo de seguida, como o bom amigo do Fidel com os pés para a cova. Ou seja, Chávez não é um ditador. É um enfermeiro caridoso. Um gajo porreiro, portanto.

Se V. vê a politica internacional pelos olhos da RTP1, então, tenho a dizer que V. não vê um palmo à sua frente.

Henrique Raposo | 20:49 |

 

Locutor de Continuidade

O canal público passa hoje este filme. Na altura da estreia (2001), se não estou em erro, a crítica foi um pouco dura demais. Trataram a coisa como se fosse só mais um policial. Injustiça.

Training Day não é, com certeza, um filme glorioso. Mas não é só mais um policial. É também, e acima de tudo, o relato cínico da perda da inocência do querubim (Hawke) às mãos do Lúcifer (Denzel). Se tivermos em conta que Hollywood foi tomada de assalto por fazedores de filmes para a puberdade, temos de reconhecer que este filme é uma lança em África. Não é um grande filme. Não é do panteão, mas tem alguma daquela secura moral (sem happy end a martelo) dos thrillers dos anos 70. Diria que é o Serpico possível na Hollywood de hoje.

O percurso de Hawke (perda da inocência) foi desprezado pela crítica. Isso diz alguma coisa sobre o nosso tempo. Um tempo de cínicos profissionais. Os bebés, hoje, já nascem cínicos e sem qualquer pingo de inocência. Somos todos chicos-espertos desde o tempo da fralda.

Henrique Raposo | 19:46 |

 

E o blogue preferido pela Bomba Inteligente em 2006 é...

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... No final de cada ano, assiste-se na blogosfera lusitana à nomeação dos melhores blogues. Há diferenças subtis no modo como as escolhas são apresentadas: uns preferem destacar os seus blogues preferidos com humor e originalidade; outros premeiam os seus favoritos a sério, outros mais a brincar; uns promovem concursos, e outros ainda, autoritários, apresentam a lista dos seus melhores blogues do ano como sendo a lista dos melhores blogues do ano para todos, sem direito a reclamações. Não tenho nada contra nenhum dos estilos de selecção ou de destaque de blogues, mas confesso que prefiro - de longe - a primeira opção: distinguir os blogues preferidos do ano de uma maneira descontraída. Este ano, contudo, aconteceu uma coisa diferente: gostei muito de muitos blogues, mas gostei ainda mais de um entre todos aqueles de que gostei muito. Estou certa de que nenhum me levará a mal. O meu blogue preferido em 2006 chama-se... (O melhor blogue continua na Atlântico de Fevereiro)

Charlotte, no Bomba Inteligente.

Paulo Pinto Mascarenhas | 19:10 | 0 comments

 

Momento Diogo Infante


Qual é a forma correcta: Zimbábue, Zimbabué ou Zimbabwe?

Henrique Raposo | 19:05 |

 

Mas, afinal de contas, o que foi fazer o primeiro-ministro Sócrates à China?



Fotografia "DN"

Paulo Pinto Mascarenhas | 18:50 | 5 comments

 

Fetofilia

Estou a começar a ficar ligeiramente enjoado com o rumo desta campanha para o referendo ao aborto. Razão tinha o Paulo Tunhas, quando desejava aqui no blogue que a votação fosse logo no dia seguinte. Salvo honrosas excepções, vejo muita gente a procurar o protagonismo mediático em nome das mulheres ou do feto. É uma espécie de fetofilia súbita, esta que está a atacar a blogosfera e a imprensa em geral. O feto deveria ter direito à preservação da imagem, direitos de autor, qualquer coisa que impedisse que tantos falassem em nome dele - ou das mulheres.

Paulo Pinto Mascarenhas | 16:50 | 7 comments

 

Vaya con Dios

Há poucas coisas que me chateiem mais do que a choraminguice anti-politicos portugueses e Portugal. Estou, mais que farto, dos constantes vitupérios a Portugal, sobretudo quando acompanhados de juras de amor eterno a Espanha.
Como é evidente, não estou, propriamente, satisfeito com o estado de coisas no nosso país, longe disso, mas deixa-me desgostoso ver afirmações do mais absoluto derrotismo de gente que ainda há pouco largou os bancos da escola.
Compreendo que alguns dos que escrevem textos como este, o façam mais como forma de abanar consciências mas, o que é demais é moléstia.
O que é triste nisto, é que estes fervorosos amantes de Espanha e ferozes críticos de Portugal, exibem o mais típico traço do pior que os portugueses têm: tudo lhes é devido e esta “merda” está mal por culpa dos “outros”.


P.S. Meu querido amigo Henrique, um grande “vaya con Dios” para o teu amigo. Graças a alguns dos seus ex-concidadãos esse ingrato cavalheiro conseguiu andar na escola, tornar-se um técnico útil, emigrar com liberdade e mais que tudo, deu-lhe a capacidade de escolher. O que ele, se calhar, ainda não percebeu é que por muito que faça, jamais será espanhol: vai ser, apenas, mais um português que desistiu, e esses, digo eu, não fazem falta.

Pedro Marques Lopes | 16:15 | 7 comments

 

Direito de Resposta (do deputado Pedro Quartin Graça)

A propósito do texto "Palhaçada Institucional" da autoria de Henrique Raposo, recebemos o seguinte email do deputado Pedro Quartin Graça (MPT-Partido da Terra), do Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata:

Reportando-me a um post publicado no interessante blog da Revista "Atlântico" intitulada "Palhaçada Institucional", da autoria de Henrique Raposo, da mesma notícia "transparece" a ideia que, acerca desta questão, houve, aquando na votação na Assembleia da República da votação da pergunta do referendo à IVG, unanimidade entre os partidos e os deputados presentes, sendo nomeadamente citados o PS e o PSD, partido este a cujo Grupo Parlamentar me insiro, ainda que na qualidade de membro do MPT – Partido da Terra.

Dado o facto de, nomeadamente no que se refere ao PSD, essa unanimidade não ter efectivamente existido na prática, tem a presente o objectivo de esclarecer este mesmo facto, aproveitando a oportunidade para enviar a V.Exa a declaração de voto que, na altura, tive a ocasião de apresentar. É que eu, nesse como na esmagadora maioria dos casos, não estava a dormir…O seu a seu dono…

Agradecendo a atenção dispensada e com os meus melhores cumprimentos,

Atentamente,

Pedro Quartin Graça


[Nota: Para consultar a declaração de voto do deputado Pedro Quartin Graça aconselha-se o linque http://www.parlamento.pt/dari/DARI.aspx, no qual se encontra o "Diário da Assembleia da República" relativo ao dia 20.10.2006.]


Paulo Pinto Mascarenhas | 16:09 | 1 comments

 

A depressão do artista




Ontem o meu filho chorava baixinho em fúria com o mundo cão que o rodeia. Inquiri. A explicação foi simples: uns amigos atrevidos gozaram com ele, na escola, por causa de um desenho que ele tinha feito: «uns rabiscos coloridos». Com paciência mostrei-lhe uma imagem de Pollock que estava mesmo à mão. Imaginou-se, nesse instante, um génio. E eu tomei uma resolução séria: tão cedo não o levo de novo ao Museu de Arte Antiga, não vá estar a criar traumas na criança, como agora se diz.

vc | 14:39 | 0 comments

 

Falar

Eduardo, eu não defendi o conteúdo do pacote Cravinho. Só chamei a atenção para o facto de o assunto ter sido desprezado. É como se nada tivesse acontecido. Com problemas ou não, é um assunto para debater e criticar, como tu fizeste. É para falar e não para meter debaixo da manta. É um assunto central, decisivo. Ao contrário do referendo, se me permites. É mais importante do que a saúde de Fidel. Mas agora a TV, que não deu cavaco a Cravinho, está a falar da saúde do barbudo há minutos. Era só isto. O pacote, em si, é outra conversa (sendo que concordo, à partida, com as tuas críticas).

abraço,

Henrique Raposo | 13:23 |

 

Fumam

Assim de repente, a única coisa realmente estimável deste filme é a presença constante do fumo do tabaco. Di Caprio fuma como uma chaminé. A brigada do algodão ficou à porta.

De resto, é moralismo de pacotilha da moda, a reboque da culpa ocidental. Que saudades dos thrillers secos e enxutos, quase amorais, dos anos 70.

Henrique Raposo | 13:09 |

 

A escravidão é que é bom para o investimento!

O ministro Pinho, homem que zela pela produtividade do país, disse aos chineses que isto ("isto", para quem não sabe, é a forma carinhosa e desiludida com que costumo tratar Portugal) era do catano porque a malta cá ganha uma miséria. Portanto, caros chineses, toca a invadir a Ibéria.
O zelo de Pinho é ternurento. Emociona-me. A competitividade e atracção de investimento estrangeiro faz-se, na sua brilhante mente, através dos mais baixos salários de toda a UE. Calculo que para o ministro, se todos trabalhassem à borla o caso seria ainda de maior sucesso, um oásis no planeta e um exemplo de atracção de capitais.
Engenheiro: demita-o ou remodele quanto antes.

Bernardo Pires de Lima | 12:41 | 3 comments

 

Chateia-me trabalhar

Esta coisa das arruadas (termo obviamente retirado do livro de estilo da Lisnave) durante a semana, levanta-me uma questão: esta gente não trabalha? Dá para andar por aí rua acima e rua abaixo a berrar sem ser despedido por faltar ao emprego?

Bernardo Pires de Lima | 12:37 | 0 comments

 

Não há nada mais tuga: "Ai, vê mas-é se te calas, oh palhaço"

Uma das notas essenciais da campanha do referendo, que hoje começa, é a tentação de mandar calar. É, no fundo, uma tentação velhíssima entre nós. Parece que 58% dos portugueses não quer que a igreja católica fale. Ignoro a percentagem dos que não querem que os ministros falem, mas também deve existir. Periodicamente, desejamos que alguém não fale, pura e simplesmente. Ora, por que não há-de a igreja falar do assunto? Que falem todos. E que se despachem.

Francisco José Viegas

Henrique Raposo | 12:25 |

 

Cravinho

Enquanto país se diverte com o circo referendário, enquanto os meus amigos de infância vão ficando cada vez mais espanhóis, ninguém passou cartão ao caso-Cravinho. Ninguém se dá ao trabalho de pressionar o governo e o PS, perguntando por que razão colocou entraves ao pacote anti corrupção de Cravinho?

Cravinho chegou a dizer que até o PS tem "rabos de palha" na questão da corrupção. O país nem suspirou. Dá mais jeito, de facto, fazer de Pinto da Costa e Valentim os únicos corruptos do país. Enquanto isso, os boys continuam a corromper Portugal, de lés a lés. Mas isto não interessa. A malta quer é militâncias morais. E referendos. Tarjas e megafones. E dizer que o outro lado é "terrorista", "malévolo", "idiota", "fascista", etc. Isso é que interessa.

Proponho já aqui os próximos referendos para a malta se divertir:

- O direito à masturbação do golfinho da Arrábida. Acho que voto sim. Coitado do bicho; tem direito à privacidade longe dos pescadores voyeurs.

- Eliminar Barrancos com uma Bomba H. Nem gosto muito de tourada, mas acho que voto não, se não se importam.

Henrique Raposo | 12:03 |

 

Espanhol de coração

Caro político português,

Um amigo voltou de Espanha com uma obsessão: "por que razão não me chamo Alonso? Por que razão tinha de ser português? Para quê 1640?". V., meu caro, acha isto escandaloso e anti patriótico? Então, acorde. É que o país, sobretudo na minha geração, está cheio de traidores.

Mas o pior nem é isso, meu caro. O meu amigo encontrou-se (aliás, era esse o objectivo da demanda) com um velho amigo em comum. Amigo de infância que vive há anos em Espanha. Um tipo com quem jogámos à bola. Um tipo que comia lanche na minha casa, que o meu cão lambia. Um amigo. Parte da minha memória. Pois bem, este tipo, português de gema, é agora espanhol. Renunciou a Portugal. Não é só espanhol por conveniência, atenção. É espanhol de coração. Ama Espanha. Desligou-se de Portugal. Portugal é tão querido para ele como a França ou Itália. É só mais um país. E manda recado: "eles [os portugueses] que fiquem com aquela porcaria [Portugal]". Ou seja, graças a V. e ao excelente trabalho que tem feito nos sucessivos governos, o meu amigo, o gajo que comia o meu pão barrado pela minha mãe e quase roubado pelo meu cão, o tipo das fotografias dos anos 80, de bola debaixo do braço, o meu amigo, dizia, já não existe. Agora é um espanhol. Muito obrigado, meu caro. V. é o maior. E Madrid agradece, dizem-me.

E sabe que mais? Não tenho como criticar o meu amigo. Não tenho nada para contrapor. Sei o que sente. Sente a traição de um país que lhe deu uma educação que não serve para nada. Um país onde não consegue arranjar uma casa, e onde tem de ser escravo de uma pesada carga fiscal, que deixa de ser pesada para passar a ser ridícula quando comparada com a espanhola. Sei o que é olhar para cima e ver a geração instalada cuidando apenas dos seus interesses para hoje, sem um pingo de consideração pelos mais novos e por amanhã. Claro que é espanhol. Lisboa, aqui no sentido lato, aqui como símbolo do poder do regime, dá asco. E pena.

E mais, meu grandessíssimo político português: o meu (ex) amigo não é a excepção. Quando regresso aos locais das antigas férias, no Alentejo e Algarve, encontro o mesmo retrato: a gente da minha geração não quer saber de Portugal e vive encantada com Espanha. Para Portugal, os meus amigos de verão guardam raiva. Em Espanha, as minhas amigas vêem esperança. Tanto que ficam por lá, pelo menos a trabalhar. Regressam à noite, cabisbaixas e ressentidas, para aquilo que é cada vez mais uma pátria fictícia. O meu amigo não é a excepção, meu caro. É somente uma norma mais corajosa.

Mas V. e seus parceiros de classe política não se interessam por isto, não é? Pois passe bem. Mas fique sabendo de uma coisa: portugueses haverá sempre (o orgulho de bater no peito não morre), mas Portugal pode deixar de fazer sentido. Já não faz para muita gente.

um abraço,
Henrique Raposo

PS: Escusa de mandar cheque. Este é de borla.

Henrique Raposo | 00:18 |

 

terça-feira, janeiro 30, 2007

 

SE A RTP 1 FOR PONTUAL

http://www.portaldaliteratura.com/resize.php?&file=files_autores/443.jpg&size=150

Paulo Pinto Mascarenhas | 23:42 | 0 comments

 

Leitura recomendada

"José Pedro Aguiar-Branco alerta para o risco da pergunta que ele próprio aprovou? A meu ver, faz bem, não caindo por essa razão em nenhuma incoerência. JPAB chamou a atenção para as consequências que o voto terá no actual quadro, perante a inexistência de um compromisso político claro no sentido de garantir que a regulamentação posterior irá seguir certas e determinadas práticas, risco real que aliás o próprio Professor Vital Moreira reconheceu no próprio debate, e que o Rui Albuquerque tão bem resume aqui."

Rodrigo Adão da Fonseca, no Blue Lounge.

Concordo com RAF. Parcialmente, porque entendo que Vasco Rato não está mesmo nada "insolado". Bem pelo contrário, sabia muito bem o que estava em causa naquele debate do Prós&Contras e utilizou inteligentemente um subterfúgio argumentativo. Aliás, se o PSD não tivesse aprovado a pergunta seria acusado de ter procurado evitar a consulta popular e de assim contradizer-se naquilo que sempre tinha defendido no passado, o de que a lei do aborto só poderia ser alterada em sede de referendo (recorde-se que o CDS se absteve). O argumento de VR poderia ser utilizado a contrario sensu em relação ao PCP: como é que os comunistas podem estar de acordo e ir votar Sim a uma pergunta que rejeitaram no parlamento?

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Paulo Pinto Mascarenhas | 23:20 | 0 comments

 

Amanhã nas bancas

Atlântico.23.2

Paulo Pinto Mascarenhas | 22:46 | 0 comments

 

Amanhecer

Esta manhã acordei a pensar que já era dia 12 de Fevereiro. As complicações pós-traumáticas associadas ao processo referendário em curso podem muito bem criar mazelas no meu pobre corpo e na débil alma que nem consigo imaginar. O sonho difuso e o despertador às 7 não ajudam a lucidez pressuposta. Vejo nas notícias Pinto da Costa, o PM na China e sessões judiciais em todos os cantos do País como se vivêssemos de Justiça ou em Justiça. Tenho por instante a veleidade de me imaginar ainda no sono confuso. O pequeno João chama-me à Terra e pela centésima vez diz que o pequeno-almoço apalavrado não corresponde ao seu desígnio. Cada um tem um bem sei. Faltam-me as vírgulas ou se calhar não. Mas já não suporto muito mais a conversa que por aí vai. O que se seguirá para nos distrair não sei. Mas vou percebendo que a tal pergunta que tanto ruído causa tem servido para quase tudo excepto para se falar do que falta: informação, educação, melhores pais que digam às crias imberbes que o sexo é bom mas exige atenção - e rima. Quanto ao dia 11, há muito que sei onde está a razão mas nem quero falar do óbvio porque não me apetece. Depois ainda lembro Michael Bloomberg e a genial ideia de criar um preservativo New York, daquelas coisas que distinguem as cidades, e aí aparece Gabriela, Fontão e Carmona num parque de estacionamento sem via verde como se ao pesadelo tivesse voltado.

vc

vc | 21:55 | 1 comments

 

O Anátema, o ferrete e o cadastro

Eu cada vez mais me convenço que preciso de me juntar a uma destas "arruadas" promovidas pelo PCP. Ando eu a pregar incansavelmente os benefícios do capitalismo e começo a chegar à conclusão que eles andam muito mais felizes do que eu. Desfilar ao som de uns tambores, ao lado de verdadeiros "camaradas", gritar e insultar o capitalismo selvagem que parece ter contagiado os sucessivos governos. Porque não? É época de fazer campanha por uma posição no próximo referendo? Isso não interessa. Quem sabe, até posso gostar...

Bruno Gouveia Gonçalves | 21:38 | 0 comments

 

VPV ao vivo e a cores

http://www.portaldaliteratura.com/resize.php?&file=files_autores/443.jpg&size=150

É já logo à noite que poderá assistir ao programa "O Portugal de..." com Vasco Pulido Valente a ser entrevistado por Rui Ramos. Soube de fonte segura que VPV está em grande forma. O programa passa a horas apropriadas para noctívagos (23h55). Não vou perder.

Paulo Pinto Mascarenhas | 20:08 | 1 comments

 

O flagelo da Direita clandestina

Ainda a noite de ontem. Quando Fátima Campos Ferreira saudou o exotismo de Vasco Rato por ser «dos poucos neste país» que assumem ser de direita, temi por momentos que a RTP optasse por distorcer a voz e desfocar a imagem do tribuno.
Não percebo este pasmo, esta púdica e receosa apoplexia. Afinal, não foi assim há tão pouco tempo que fomos despenalizados.

Tiago Geraldo | 18:58 | 0 comments

 

Conversa de surdos

http://www.uihealthcare.com/news/wellandgood/2001issue1/images/sinutisis.jpg


Tiago Geraldo acusa-me, entre outras malfeitorias, que as "as únicas palavras" que eu "e os defensores do Não" conhecemos "são a Vida, o Feto, a Criança e o Bébé". Aparentemente, o Tiago não terá lido nada do que eu escrevi sobre o tema neste blogue ou noutros sítios, porque, salvo erro grosseiro do qual me penitencio agora publicamente, nenhum dos meus textos refere qualquer das palavras citadas. "Bébé" - ou bebé - é aliás um substantivo que simplesmente não uso, nem sequer em discurso oral.

Ou talvez o Tiago Geraldo me tenha lido e - como militante do Sim - saiba que a existência de vários e diferentes "nãos" pode ameaçar a vitória da causa que defende. Tem todo o direito, é claro, mas as palavras são muito importantes e devem ser lidas quando se pretende contrapor argumentos, sob o risco de mantermos uma conversa de surdos, o que tem acontecido com frequência nos debates mediáticos. Ora, meu caro Tiago, tenho procurado não entrar nessas conversas de surdos em que cada um acusa o outro de generalizações, por vezes até muito espertas, mas que são pouco mais que generalidades.

Tal como não usei essas expressões, o meu voto nada tem a ver com consciência religiosa ou moral - aliás a moral e a religião têm sido bastante mais citadas nos últimos tempos por militantes do Sim ("sou católico mas voto sim", etc). Não falo certamente em nome de nenhuma igreja, ainda que veja com alguma ironia alguns adeptos do Sim a porem em causa o direito de opinião das mais diversas confissões religiosas.

A minha escolha pelo Não - que não é pelo campo do Não, porque, ao contrário de outros que com todo o direito são militantes da causa, de ambos os lados, tenho sempre repetido também que prefiro o debate a unanimismos -, nada tem a ver com ser cristão ou católico, mas resulta de razões que aqui já escrevi em diversas oportunidades e que posso agora, de novo, tentar sintetizar: a lei que está a referendo não assegura qualquer critério de prudência na prática do aborto até às dez semanas e a actual legislação - semelhante à espanhola - pode ser melhor regulamentada em sede parlamentar para acudir aos casos em que se justifica, nomeadamente a saúde psíquica e física da mulher.

Não posso por isso responder a tudo o resto que o Tiago Geraldo assina, porque os seus argumentos deveriam ser dirigidos directamente a outros. Só para dar um pequeno exemplo, refiro o seu argumento das "causas de exclusão de ilicitude", porque estas também estão presentes na actual lei, como ele sabe talvez melhor do que eu.


PS. Apesar de não ser jurista, Tiago, sei o que significa a necessidade de um "largo consenso social" enquanto pressuposto básico de qualquer crime ou de qualquer lei. Não me arrogo é o papel de conhecer qual é esse largo consenso social, sobretudo no momento em que está a ser debatido e submetido a referendo. Ora, é a essa categoria algo estalinista de omnisciência social que se arrogam o Prof. Vital Moreira e tu mesmo - como outros militantes do Sim.

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Paulo Pinto Mascarenhas | 17:35 | 7 comments

 

China e aborto

Enquanto o PREC intimista continua, O PM vai à China. Fazer? Atrair investimento. Mas atrair investimento como, quando temos impostos altíssimos e uma lei laboral que está entre as mais idiotas do mundo (não é só do mundo desenvolvido; e lei laboral portuguesa é uma das mais rígidas de todo o mundo, Botswana incluído). Mas quem é que é doido para investir em Portugal, quando existem dezenas e dezenas de países mais competitivos?
Esta viagem é mais uma ilusão, e uma forma de desviar atenções do essencial: só teremos investimento estrangeiro novamente quando Portugal sair de um modelo dos nos 70. Os nossas leis faziam, se calhar, sentido nos anos 70 e 80, quando o regime foi criado e amamentado. Mas, vejam bem o calendário, estamos em 2007. Não podemos ir à China do XXI com leis laborais de meados do XX.
Mas o que interessa é a emoção de Lídia Jorge e afins. O que interessa é o moralismo das duas barricadas de uma questão que nunca deveria ter sido dividida em sim e não, 1 ou 0, mal ou bem. Vai ser deprimente ver pessoas a comemorar, com a emoção da vitória, algo relacionado com o aborto. Num referendo, há vitórias absolutas e sem remissão para o perdedor. Por essa razão, nunca algo como o aborto deveria ter ido a referendo. Mas os interesses partidários são mais importantes. De todos, sem excepção. Todos os partidos, sem excepção, ganham qualquer coisa com este referendo. E é por isso que foi feito: para abastecer lógicas partidárias e não para resolver os problemas que estão em cima da mesa. É o sistema político que temos. E nós, a tal sociedade civil, vai fazendo o jogo dos senhores do regime.

Henrique Raposo | 16:14 |

 

Critérios


Que intolerantes que são os israelitas. Pela primeira vez, um árabe é nomeado para o governo de Israel. Raleb Majadele (trabalhista) deverá ser o primeiro árabe a ser ministro em Tel Aviv.
Mas isto não interessa nada, não é? Tem sido um facto semi-clandestino deste lado do mediterrâneo.

Henrique Raposo | 15:30 |

 

Liberdades Poéticas

"(...) rebolando-se no chão como se tivesse sido atingido com um tiro de uma Magnum entre os olhos (...)"

Miguel Sousa Tavares, A Bola, Edição nº 12.104, Ano LXII

Bruno Vieira Amaral | 14:05 | 2 comments

 

Critérios

A Palestina está em guerra-civil há semanas. Mas ninguém presta atenção à coisa. Seria uma chatice estragar a narrativa do judeu como causador de toda a violência.

Henrique Raposo | 13:37 |

 

Western Philosophy


Pike Bishop: He gave his word.
Dutch Engstrom: He gave his word to a railroad.
Pike Bishop: It's his word.
Dutch Engstrom: That ain't what counts! It's who you give it to!

Ernest Borgnine ensina a William Holden o que é a realpolitik em The Wild Bunch.


Bruno Vieira Amaral | 12:52 | 0 comments

 

Rui Ramos e Vasco Pulido Valente

Hoje, na RTP 1, lá pela meia-noite, no Portugal de... , temos Rui Ramos à conversa com Vasco Pulido Valente. Depois de um momento deprimente ontem à noite, nada melhor do que uma boa conversa.

Henrique Raposo | 12:23 |

 

Palhaçada institucional

Debate: mudou aos 15, acabou aos 30. Ganhou Vasco Rato.

Ninguém, como raras excepções, quis informar as pessoas em casa. Aliás, quem começava a falar virava-se para o lado do inimigo. As pessoas que apanhavam o micro quiseram apenas cantar a sua alta moralidade sobre os ouvidos dos outros. Poucos (poucos, aqui, quer dizer o Vasco Rato) participaram de facto num debate. E pertence a Vasco Rato o momento da noite. Eduardo Pitta já descreveu a coisa:

Um só episódio resume a coisa. José Pedro Aguiar-Branco, antigo ministro da Justiça de Santana Lopes e actual deputado, elabora longamente sobre o teor da pergunta do referendo. Vasco Rato, que é do mesmo partido mas está do outro lado da barricada, pergunta: «O senhor doutor não votou favoravelmente a pergunta?» A custo, Aguiar-Branco concede que a viabilizou. Vasco Rato desiste. Estava realmente tudo dito. Ou seja, os deputados da República podem viabilizar o que aprouver aos directórios partidários (e só por pudor não dou sugestões escabrosas) que nada os vincula.


O Parlamento é um dormitório. O Dr. Aguiar-Branco que votou favoravelmente a pergunta enquanto deputado, está agora melindrado com a mesma pergunta enquanto cidadão e votante. Eis a prova do que dizia ontem Pedro Magalhães. PS e PSD impõem um referendo sobre o tema porque não têm a coragem de aparecer divididos numa votação parlamentar desta índole. Sinal provinciano de culto pela unanimidade. E uma curiosa concepção de representatividade. Em Portugal, o único gajo que é representado é o cacique de cada partido que fecha as listas de deputados a eleição. Mais ninguém é representado na assembleia. Eu não sou, de certeza.

Após o nó cego de Vasco Rato a Branco-Aguiar, desliguei a TV. Envergonhado com o sistema político que me governa e que me envergonha. Quando tudo isto acabar, seja qual for o resultado, temos que discutir que raio de sistema político é este que permite que um deputado faça esta triste figura. Mas, mais uma vez, irei pregar no deserto institucional, enquanto os cruzados moralistas irão à procura de nova causa emocional para referendar. E o essencial - a palhaçada institucional que é Portugal - vai ficar outra vez por debater.

Eduardo Pitta diz que o episódio revela o povo que somos. Discordo, Eduardo. Esses episódios podem acontecer em qualquer democracia. O que já não acontece nas outras democracias é a ausência de discussão institucional quando surgem casos desses. Hoje devíamos estar a discutir as incongruências de Aguiar-Branco e as falhas do regime. Mas, não. Vamos continuar na ladainha do não - sim. Mesmo depois do dia 11.
Somos o povo que somos porque só conseguimos discutir questões emocionais, aquelas onde as pessoas gritem o seu moralismo ao ouvido de outrem. É a incapacidade de dar um terço da energia empregue neste referendo a questões realmente essenciais (por que razão o parlamento é um dormitório onde Aguiar-Branco vota questões com as quais não concorda? Por que razão a justiça vive numa coutada à parte sem qualquer responsabilização?) que faz de nós o que somos, Eduardo.

Henrique Raposo | 10:46 |

 

Sobre os novos Galileus

Paulo, nesta discussão as únicas palavras que tu e os defensores do Não conhecem são a Vida, o Feto, a Criança e o Bébé, mas devo lembrar que, para todos os efeitos, a lei foi mesmo para aqui chamada.
Ninguém foi chamado a pronunciar-se sobre a censurabilidade moral do aborto. O voto no próximo referendo não é uma questão de consciência. É apenas e tão só uma questão política. Se quiseremos ser precisos, de política-legislativa.
É compreensível que o português humanista, habituado a grandes discussões sobre a origem e o destino da humanidade, não se preocupe com minudências como a Lei e coisas exóticas que se chamam «causas de exclusão da ilicitude».
Mas é aí que estamos e é aí que devemos ficar neste referendo. Qualquer extrapolação para além disso será sempre profundamente demagógica.
No campo do Direito Penal é pressuposto básico de qualquer crime a existência de um «largo consenso social» que reclame e exija a sua intervenção - conceito que não foi propriamente cunhado pelo PCP.
A isso chama-se princípio da necessidade da pena (que contém dentro de si um juízo de proporcionalidade). De acordo com esse princípio só será necessária a pena que for legítima, incorrendo no juízo de legitimidade três elementos fundamentais: carência de protecção do bem jurídico; falta de alternativas à penalização da conduta e eficácia concreta da incriminação. Não é preciso muito esforço para se perceber que estes critérios não estão reunidos no caso da criminalização do aborto. O crime de aborto tem, aliás, uma natureza criminógena (propicia a existência de outros crimes como a ofensa à própria vida da mãe).
Quem não reconhece isto e anda a discutir a Vida do Bébé e da Criança-Que-Mexe-E-O-Coração-Que-Bate é que fala sem ponderação nem réstia de bom senso.

Tiago Geraldo | 01:58 | 4 comments

 

Sem ponderação ou bom senso



No Prós&Contras, Vital Moreira deixa finalmente estalar o verniz e descobre o comunista que ainda existe dentro dele quando fala da "consciência social" que existirá sobre a não condenação do aborto. Ele - e só ele, como os comunistas dos tempos soviéticos - é que sabe qual é a consciência social do povo. De resto, do "Sim" - e também de algum "Não" presente - oiço apenas jogos de palavras que não resolvem o dilema final: a partir de 11 de Fevereiro poderemos ter o aborto livre sem qualquer critério acrescido de prudência. Algumas pessoas enervam-se, exaltam-se, mas não conseguem contradizer a evidência.

O meu amigo Vasco Rato bem tentou ser moderado, mas parece-me que se sentia algo entalado entre os "colegas" de esquerda que o acompanhavam. José Manuel Pureza, igual a si próprio, não deixou de acrescentar a opinião do BE: o que eles querem é o livre-arbítrio da mulher. Sem qualquer ponderação ou o mínimo critério.

Paulo Pinto Mascarenhas | 01:08 | 9 comments

 

Também fiquei com a ideia...

João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos:


Bruno Gouveia Gonçalves | 01:02 | 0 comments

 

segunda-feira, janeiro 29, 2007

 

Debate

Muda aos 5, acaba aos 10.

Henrique Raposo | 23:15 |

 

Onde há Vida há CDS

Na prognose do Bruno Gonçalves falhou a identificação de um facto político muitíssimo importante: parece que a luta/defesa/passeio/maré/onda/caminhada pela Vida é a única ideia capaz de reunir as comadres desavindas e fazer do CDS um partido a uma só voz.
Com a vitória do Sim o CDS continuará mobilizado e coeso e, se a moda pega, a fazer campanhas a partir da maternidade Alfredo da Costa. Já com a vitória do Não parece inevitável que voltemos a ouvir falar do Nuno Melo.

Tiago Geraldo | 22:24 | 1 comments

 

UMA SUGESTÃO

Por acaso, depois de escrever o post anterior, abri um jornal e li uns protestos contra arbitragens. Ouço isto há muito tempo, desde pequenino. E veio-me uma ideia à cabeça. Porque é que, aproveitando a feliz circunstância de os jogos de futebol serem divididos em duas metades, não se concede a cada equipa o direito de nomear um árbitro (e dois fiscais de linha) para cada uma delas? Ninguém tinha mais razões para se queixar. E ganhava certamente o melhor.

Paulo Tunhas | 22:21 | 0 comments

 

DESCOBERTA

Ao ler um livro que nunca tinha lido (Rinascimento e Pseudo-Rinascimento) de um autor que me era desconhecido (Federico Zeri), descobri um comentário sobre um pintor de que nunca tinha ouvido falar (Bernardino di Mariotto): “uma elegância exagerada própria às culturas provincianas”. Juro que nunca li nada que definisse tão bem – dando a “elegância” um significado lato - os filmes de Manuel de Oliveira.

Paulo Tunhas | 22:04 | 1 comments

 

Consequências da vitória do 'Não' (1)

Negativas: O BE continuará a tentar acumular capital político com o tema, fazendo ocasionalmente um show sobre um caso trágico.

Positivas: Francisco Louçã a afirmar que a "direita" não ganhou esta batalha...

Bruno Gouveia Gonçalves | 21:56 | 0 comments

 

Consequências da vitória do 'Sim' (1)

Negativas: O regozijo e sensação de vitória estampada na cara dos dirigentes bloquistas declarando a derrota da "direita".

Positivas: Acaba-se esta bandeira partidária. Finalmente vão ter que mudar...

Bruno Gouveia Gonçalves | 21:50 | 0 comments

 

Referendo. Mas como? Imposto por quem?

1. Ler o artigo de hoje do Pedro Magalhães, no Público. É o conjunto de perspectivas processuais e institucionais, desenvolvidas por PM, que deveria ser discutido. Mas, em Portugal, uma discussão institucional, além da emoção e de um rosto, é mais difícil que provar a existência de deus.

2. (tudo meu a partir daqui) Por que razão os partidos blindaram tanto o referendo? 50% para ser vinculativo; não podem ser referendados aspectos constitucionais e orçamentais e quase tudo o que é da exclusiva responsabilidade da Assembleia. E, depois da votação, a coisa tem de ser aprovada por maioria parlamentar. Mas, então, por que raio a ideia de referendo, se tudo pode ser resolvido no parlamento in the first place? Sobretudo quando os referendos em Portugal não passam de uma imposição dos partidos ao eleitorado e não o inverso?

O referendo, a meu ver, na realidade específica e apolítica de Portugal, só faz sentido como uma forma de pressão da sociedade civil sobre o Poder. Sobretudo quando estamos a falar de um Poder, o nosso, que não é incomodado pelo parlamento (um dormitório) e pela justiça (uma coutada sindical). O referendo, para mal dos meus pecados, poderia ser o contra-poder em Portugal, na ausência de efectivos contra-poderes institucionais. Claro que os partidos, em 1997, tomaram as devidas protecções e blindaram o seu poder perante o referendo. Resultado: a praxis do referendo, entre nós, é apenas uma forma de desviar atenção do essencial, e uma forma de evitar divisões internas dentro das bancadas em temas sensíveis (como o aborto).

Henrique Raposo | 20:12 |

 

Ainda deus

Guardo uma imagem de 2006. Ver Nova Iorque a partir de cima, da janela do avião. Já toda a gente dormia. Fui o único a ver aquilo. Aquele privilégio, a beleza tormentosa do que via, a boca aberta, a impossibilidade de descrever (como se vê agora), fez-me pensar que, se calhar, porra, o Gajo existe mesmo. Perante certas coisas, como aquela, ficamos a pensar: será que o Tipo existe mesmo?
Mas o fascínio logo acabou. Ao meu lado, um tipo da Ásia Central dormia quase no meu ombro, quase, ostentando um canino de oiro e uma baba atrevida que já ia na almofada. Obrigado. Perante tamanho espectáculo há que concluir que o Gajo não existe mesmo.

Henrique Raposo | 19:56 |

 

Chat Atlântico (De cor de rosa mas à frente)

Sim, BPL, mas o cor de rosa acabou de passar à frente do teu "sportém".
Preferes o amarelinho, não é?

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Paulo Pinto Mascarenhas | 19:52 | 0 comments

 

You are either with us or against us

Perante o crescimento do "Não" nas sondagens, os defensores do "Sim" têm procurado nos últimos tempos radicalizar o discurso e extremar posições. Como prova a posição de José Miguel Júdice, entre outras, a ideia que se quer passar é a de uma discussão a preto e branco, simplificando o que é complexo, parecendo esquecer-se em primeiro lugar das vítimas do aborto, que tanto dizem defender (neste caso, não falo especificamente de JMJ, mas do aproveitamento radical do seu discurso). Tudo seria muito simples neste mundo a preto e branco: de um lado, os que pretendem "despenalizar" a mulher que aborta até às dez semanas, as boas almas do "Sim" - do outro, os malvados do "Não" que querem penalizar à viva força qualquer mulher em qualquer caso e que, por isso mesmo, em caso de derrota devem pedir novo referendo de "repenalização".

A entrada de Marcelo Rebelo de Sousa a favor de um "'Não' heterodoxo" é também, em grande medida, responsável por esta radicalização do "Sim". De facto, os seus argumentos - tais como os de Matilde Sousa Franco, Rosário Carneiro, Paulo Portas ou Zita Seabra - ultrapassam este entendimento inesperadamente "bushista" das partes em permanente confronto: "You are either with us or against us" é agora a lógica predominante do "Sim".

Percebe-se que alguns dos autores do Sim no Referendo - ou a maioria deles - queiram denegrir dos mais diversos modos e feitios os que defendem que à actual lei falta apenas ser devidamente regulamentada, para que as mulheres possam abortar seguramente - mas apenas em determinados casos - sem serem penalizadas. Tal como acontece em Espanha, onde a lei é semelhante. O grande erro dos defensores da vitória do "Não" acontecerá se rejeitarem diferentes opiniões e tonalidades no seu discurso, entrando na mesma linha de radicalização (como já hoje parece fazer Jorge Ferreira num até agora moderado Blogue do Não). Aceitem de uma vez por todas que há "nãos" diferentes e que essa pode ser a sua principal força - a não ser que queiram que o "Sim" ganhe mesmo no próximo dia 11 de Fevereiro.

Paulo Pinto Mascarenhas | 19:43 | 2 comments

 

E por falar em aborto...

Parece que vai ser assim....

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Bernardo Pires de Lima | 19:08 |

 

Chat atlântico

A República dos Desalinhados merece ser visitada (basta dizer que o Miguel Vaz teve o bom gosto de estar na nossa festa no Frágil).

PS: Espero que isto não seja motivo para dizerem que sou de extrema-direita ou mesmo para novas cartas abertas da senhora dona Helena Pinto.

Paulo Pinto Mascarenhas | 17:42 | 2 comments

 

For once we agree

Paulo, acho que nos próximos tempos, noutra causa «fracturante» e não definitivamente encerrada, nos voltaremos a ver do mesmo lado do «inimigo».


Tiago Geraldo | 16:44 | 1 comments

 

E a seguir ao referendo?

1. Será que quem é contra o aborto por razões religiosas - ou outras, de consciência - poderá pedir o estatuto de objecção de consciência em sede de contribuição fiscal?

2. A lei será finalmente aplicada - qualquer uma das duas que resultarão do referendo?

3. Quais as causas fraturantes que juntarão as vozes heterogéneas do Sim no Referendo? O Sim ao Aborto (sem prazos)? O Sim ao Casamento (mas só gay)? O Sim à Adopção (homossexual)? O Sim à Eutanásia? O Não ao Casamento (mas só o hetero e religioso)? O Sim às Drogas Livres?
O Sim ao BE?

Paulo Pinto Mascarenhas | 15:06 | 0 comments

 

Quarta-feira nas bancas



Sobre o papel da Igreja - e do Estado - no referendo e em relação ao aborto, vale a pena ler Manuel de Lucena. Uma posição realmente heterodoxa, é verdade.



Paulo Pinto Mascarenhas | 14:59 | 0 comments

 

Revolta contra o new blogger


Mas o que é isto? Mas agora tenho de pôr "marcadores" todos certinhos nos meus posts? Era só o que faltava. Nem mais um. O blog é suposto ser sujo e desarrumado. Se quero encontrar um texto, escrevo ali ao lado umas palavras-chave. Se não o encontrar assim, então, é porque não vale um caracol. Não quero ver a coisa "marcadores" nos quadris nos meus posts. Parecem uns post-its electrónicos. Já tenho post-its que cheguem na secretária. Não os quero no blog.

Velhos Bloggers, uni-vos!

Henrique Raposo | 14:58 |

 

Stand and Fight ou, muito simplesmente, tê-los no sítio


But victory in the Cold War depended not just on the voices of Western intellectuals, crucially it depended on Western governments giving support to those dissident voices which were struggling to be heard in the Eastern bloc. Where are the political leaders now who will defend liberal and progressive voices in the Islamic world in the way in which Reagan and Thatcher championed the Sharanskys and Sakharovs? The real heroes of the anti-Islamist intelligentsia are Arab thinkers like Shaker al-Nabulsi who are challenging totalitarianism within the Islamic world. If the West is really serious about winning hearts and minds in this generational struggle, then it needs to show its support for those who, in the least propitious circumstances, still have the bravery to cry freedom.

Michael Gove, Spectator

Temos na net todas as fotos de todos os pulhas islamitas. Mas não é possível encontrar uma foto decente deste tipo que anda a lutar, lá, onde conta, pela liberdade. São assim os critérios do Ocidente. Na guerra fria, o Solzhenitsyn também era desprezado.

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Henrique Raposo | 14:18 |

 

Por falar em deus e igreja

Parece-me que boa parte da hierarquia da Igreja não está com o empenho de há 8 anos. Na “Grande Entrevista”, não vi o Cardeal Patriarca a colocar um grande empenho no "não". Pareceu-me um homem "derrotado" e com um discurso confuso. Pareceu-me que está dividido entre a defesa da separação entre estado e igreja e a sua posição neste referendo.


Mas porquê esta diferença em relação a 1998? Por que razão a Igreja está mais suave, digamos assim? A minha modesta hipótese: a presença do Islão na nossa vida, no pós-9/11, obrigou a Igreja a reforçar certas características da Cristandade. Por oposição ao Islão. Hoje, mais do que nunca, ouvimos cardeais e afins a reforçar Mateus 22:21: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Há dias, Rui Ramos entrevistou um bispo. Esse bispo – não me recordo do nome - parecia um pensador "secular", reforçando a pluralidade e tolerância da cristandade baseadas em Mateus 22:21.


Ora, um referendo sobre o aborto apanha a Igreja em contrapé. Se fossem mais agressivos na luta pela "não", os responsáveis pela igreja poderiam entrar em contradição com o que têm dito sobre a separação do estado e religião neste pós-9/11. Aliás, o Cardeal de Lisboa, perante Judite de Sousa, falou várias vezes da diferença entre "ética católica" e o "quadro legal". Muito ponderado. Como deve ser, aliás.


Em 1998, a igreja era mais agressiva porque o mundo islâmico ainda não era presença constante. O islamismo ainda não tinha forçado a "readaptação" da igreja aos novos, os nossos, tempos marcados pela necessidade de distinguir a cristandade de outro monoteísmo.


Mas isto é só uma hipótese.

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Henrique Raposo | 13:16 |

 

Tiram-me as palavras da boca


Esbarrei ontem com o Rui Tavares e o Pedro Lomba (salvo seja). Debatia-se a CML e a governação do Eng. Carmona. Notória e teatralmente abespinhado, Rui Tavares saiu-se com a clássica “a direita não sabe governar Lisboa”. O Pedro Lomba, coitado, lá disse o que em canal aberto a educação e o pudor lhe permitem dizer, ele que é um cavalheiro. É óbvio que, subliminarmente, um “vai-te f**** com essas afirmações” marcou presença. Há gente que, em televisão, passa mal. O Rui Tavares, por exemplo, tem o péssimo hábito de interromper os seus «adversários».


Carlos do Carmo Carapinha, no Contra a Corrente.

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Paulo Pinto Mascarenhas | 12:53 | 0 comments

 

É tempo de dizer "when"

Os efeitos do multiculturalismo.

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Henrique Raposo | 12:31 |

 

Anti-clericalismos, o Paulo e o Pedro


"Não é o referendo que interessa, é o anti-clericalismo. É mesmo uma surpresa. E surpresa, antes de mais, pela puerilidade. Como se se quisesse ser heróico, com justiça vingadora, a abrir portas abertas."

Não tive oportunidade ou tempo para comentar com mais calma este excelente texto do Paulo Tunhas aqui no blogue e a resposta do Pedro Marques Lopes, que por vezes parece sentir-se o anti-clerical de serviço. Ora, só queria dizer que, para além de estar completamente de acordo com o Paulo quanto à puerilidade deste anti-clericalismo renascido - o qual é, aliás, anacrónico - não deixo de comentar o texto do meu amigo PML. Porque o facto de não termos aqui "censura nem indexes" - ao contrário do unanimista Sim ao Referendo - funciona para os dois lados. Ou seja, temos que perceber porque em pleno segundo milénio há quem continue a pôr em causa o papel - discutível mas não censurável - de uma instituição com precisamente dois mil anos de existência. Neste caso, estou com o Paulo, parece-me pueril esta insistente necessidade de "justiça vingadora". Pueril e quase ridícula, sem ofensa para o Marques Lopes, um anti-clerical que é amigo de padres.

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Paulo Pinto Mascarenhas | 12:27 | 3 comments

 

Brincar com o fogo

But for those who have been fondly waiting for the waning of American dominance—be careful what you wish for.

Zakaria

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Henrique Raposo | 12:14 |

 

Caro Neocon,

Hoje, está na moda criticá-lo. Eu sempre o critiquei, com ou sem moda. Sabe, sendo eu um céptico e V. um optimista, estaremos quase sempre em lados diferentes. Melhor: estaremos no mesmo lado, mas aconselhando o Príncipe de maneira diferente.

Mas, e é este o propósito desta carta, V. foi útil. Em duas coisas. Em primeiro lugar, V. venceu a batalha do "regime". Isto é, já não é possível pensar a política internacional sem ter em consideração a variável "regime". Os Estados não são todos iguais. O Poder não é todo igual. A sua maior vitória está numa declaração pouco notada de Kissinger: "os neocon venceram a batalha pela democracia". Até Kissinger já tem a democracia no centro do seu pensamento estratégico. Ele usa a democracia de maneira diferente (sendo isto o verdadeiro tema da política externa americana: de que forma a democracia é usada pelas diferentes correntes?), mas usa.
Segundo: com todos os seus problemas e falhas, o momento neocon foi o facto decisivo para a ruptura com o passado, para o fim dos clichés da guerra-fria e anos 90. Depois de 2003, há que pensar as coisas com novas matrizes. Sem mais bullshit dos anos 90 e sem os paradigmas da guerra-fria.
Apesar dos erros, a César o que é de César.

Cordialmente,

um adversário leal,

Henrique Raposo

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Henrique Raposo | 11:52 |

 

Frio

Até o MEC tem de reconhecer que está frio.

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Henrique Raposo | 11:30 |

 

Pensar / Escrever

Pens'uva. Escre'vinho.

Bruno Vieira Amaral | 10:38 | 0 comments

 

Victor Davis Hanson e o filme sobre Termópilas

homage to the Spartan last stand — and this universal idea of Western soldiers willing to die as free men rather than to submit to tyranny
(Via André Azevedo Alves).

Quando se lê relatos ingleses de 1940/41, estamos neste plano iniciado pelos espartanos perante os persas: antes morrer do que dizer "sim, senhor" ao tipo do bigode. Isto é liberdade. A modernidade tem andado a brincar com a liberdade. Aliás, escreve Liberdade. Uma Liberdade da grandiloquência das declarações, tratados e cartas do Homem. Liberdade de projectos Utópicos ao sabor do Poder. E, por isso, uma Liberdade submissa em relação ao Poder. Quando a liberdade é precisamente o contrário: desafiar o Poder (daí ser tão pouco portuguesa).

A liberdade não é declarar amor ao Homem e depois ser um instrumento do Poder. Liberdade é dizer "go fuck yourself" a esse mesmo Poder (daí ser tão pouco portuguesa). Ou, na versão guerreira, na versão de Leónidas, "come and get it". A negação de Portugal, portanto. 300 portugueses não bloqueariam a passagem nas Termópilas. Aliás, fariam ali uma portagem e cobrariam qualquer coisa ao meio milhão de persas, que de inimigos passariam a ser clientes do chico esperto.

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Henrique Raposo | 10:35 |

 

Ler

... Não vou, por isso, votar. Não quero, por isso, saber. Os eleitos que resolvam em sede própria.

Carlos do Carmo Carapinha

Henrique Raposo | 09:41 |

 

domingo, janeiro 28, 2007

 

Roteiro Atlântico no Blogue [29 de Janeiro - 04 de Fevereiro]

LANÇAMENTO

. 29 de Janeiro [18h00] - Crime ou castigo? Da perseguição contra as mulheres até à despenalização do aborto
de Maria José Alves

Local: Livraria Almedina
Atruim Saldanha - Praça Duque de Saldanha 1
Loja 71, Lisboa

Organização: Livraria Almedina
e-mail: atrium@almedina.net





SEMINÁRIOS NO ISEG

. 30 de Janeiro [15h00] – O Código e a competitividade
da economia portuguesa

Com António Garcia Pereira

Local: ISEG
Rua do Quelhas, 6 1200-781 Lisboa

Organização: ISEG
e-mail: victorlima@iseg.utl.pt


FÓRUM IMIGRAÇÃO

. 31 de Janeiro [15H00] – Portugal e os
portugueses vistos pelos imigrantes

Com Luís Filipe Scolari, Ramon Font e António Vitorino

Local: Fundação Calouste Gulbenkian
Av. de Berna n.º 45 A 1067-001 Lisboa

Organização: Fundação Calouste Gulbenkian
e-mail: forum.imigracao@gulbenkian.pt

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aL | 23:59 | 1 comments

 

O drama do arrefecimento global


Warm Snow

Nevou pelo segundo ano consecutivo em Lisboa, depois de 50 anos 'snow free'. Se o planeta continua a aquecer desta maneira, qualquer dia descemos o Parque Eduardo VII a esquiar.

JCD, no Blasfémias.

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Paulo Pinto Mascarenhas | 23:07 | 0 comments

 

Quarta-feira nas bancas


Até quarta, avançamos com alguns dos principais artigos, como é o caso da resposta de José Manuel Moreira às calúnias escritas na imprensa a propósito de Hayek.

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Paulo Pinto Mascarenhas | 22:34 | 4 comments

 

Aqui há trabalho

A RTP vai estrear um novo programa: "Aqui há talento". É uma obsessão antiga da televisão: mostrar cantores, dançarinos, tipos que sabem os resultados do Benfica desde 1954; lembro-me de um tipo, algures nos anos 80, que decorou milhares de matrículas. Havia um programa de escrita na TV2 há uns 15 anos.
Somos um povo obcecado com o talento imprevisível, com o que é pouco usual, com poético, com o instinto, enfim, com uma ideia romântica de talento: o que está ali, puro e vibrante, que existe sem trabalho, sem treino, como se fosse uma revelação divina. Quando jogamos à bola, mostramos isso: temos a maior habilidade do mundo, mas não temos técnica. Driblamos 10 gajos, mas falhamos a porcaria do remate.
Um dia, gostava de ver um programa que mostrasse trabalho, persistência e técnica nos portugueses. Não é preciso mostrar mais talento. Estamos aqui há mais de 800 anos. Querem mais talento que isto? Ao nono século de idade, temos o dever de mostrar algum trabalho. Aprender com os mais novos, aqueles que só ainda vão no segundo ou terceiro. No segundo ou terceiro século, entenda-se.

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Henrique Raposo | 19:46 |

 

Entrevista com Miss Pearls

A não perder, para quem não ouviu das 11h ao meio-dia na Antena 1, aqui estará já a partir de amanhã (espero eu) a entrevista de Pedro Rolo Duarte a Isabel Goulão, mais conhecida neste meio por Miss Pearls.

[corrigido às 22:33]

Paulo Pinto Mascarenhas | 19:04 | 2 comments

 

Coisas que não se dizem, mas hoje é domingo

emocionei-me a ver o trailer do Rocky Balboa. O underdog dos setenta está de volta.

Henrique Raposo | 15:06 |

 

Cuidado com os telefonemas...

Depois do Quebec, é a vez da Córsega...

Bruno Gouveia Gonçalves | 14:52 | 0 comments

 

Ainda a festa

Perceber como podemos ser amados e odiados pela mesma coisa. Somos criticados por uma qualquer intervenção. Três copos à frente, a mesma intervenção é quase divinizada por outra pessoa. Chama-se a isto diversidade da espécie.

Henrique Raposo | 14:39 |

 

Uma Prenda

Lendo o TLS, dou por mim a escrever "dar ao Pedro ML". Pois é. Encontrei o livro certo para o Pedro Marques Lopes: de Richard Dawkins, "The God Delusion". Entre outras coisas, parece que o tipo afirma que deus é um "unforgiving control freak; a vindictive, bloodthirsty ethnic cleanser ... a capriciously malevolent bully". Pedro, há ainda um tipo (Paul Erdos) que diz o seguinte: "God as the supreme fascist".
É a tua cara, não?

Henrique Raposo | 14:18 |

 

Púlpito

Festa atlântica. Cumpre-se a tradição: subo, feito King Kong, até ao cubículo altivo dos camaradas DJs - Nuno, Eduardo e Francisco.
Ouvimos, com frequência, que vivemos numa época em que o discurso já não conta, em que a retórica já não encanta as massas. Tretas. Quem diz isto nunca esteve no púlpito do DJs. Porque aquilo é mesmo um púlpito, meus caros. Os DJs são os nossos Martin Luther Kings. Aqueles seres, concentrados numa complicação de botões, com um ouvido nas hordas dançantes e com outro na próxima música a colocar, são os Cíceros de uma era, a nossa, que comunica cada vez menos por palavras. Invejo os DJs. São os senhores das massas. Dominam a multidão, lá em baixo.
E foi lá para baixo que voltei. Melómano de terra de surdos não pode ser DJ.

Henrique Raposo | 13:53 |

 

Momento pós-moderno do mês (também tenho direito)

Tenho uma lealdade ontologicamente canina. Sou tão fiel como um perdigueiro. No dicionário, a entrada "lealdade" resume-se a "ver Henrique Raposo".

Henrique Raposo | 13:36 |

 

O meu futuro

Ideia de negócio que surgiu algures na festa: uma empresa de teses. Se tudo o resto falhar, será esse o meu futuro. Entrar no negócio das teses da indústria académica. Desde o "vento em chelas" até à "epistemologia maria vai com as outras de Heidegger", irei cobrar, vá, 300 contos por tese. Uma ideia com futuro, diga-se.

Henrique Raposo | 13:13 |

 

Não vi, mas gosto

Há dias, falei aqui da batalha das Termópilas, um dos momentos-chave na história daquilo que viria a ser o Ocidente. 300 espartanos avariados, 300 rambos (eram mais, mas agora não interessa) da antiguidade clássica aguentaram hordas de centenas de milhares de persas numa curta faixa de terreno - Termópilas, permitindo que o resto das cidades gregas se preparasse para deter a invasão. Ainda não se inventou uma palavra para aquilo que esses 300 fizeram. Ou melhor, talvez esta seja adequada: never-was-so-much-owed-by-so-many-to-so-few. 300 gregos contra a Ásia e África. 300 homens contra um exército que "drank rivers dry".

Vejo agora um trailer de um filme que aí vem: 300 (trailer) que relata isto com uma ousadia gráfica notável. Um filme de Zack Snyder (com o dedo de quem fez o Sin City), baseado neste livro.

Henrique Raposo | 12:30 |

 

sábado, janeiro 27, 2007

 

Estamos tramados...

... quando chegamos de uma festa e a vossa futura mulher diz "que fazes com um colar de pérolas ao peito?".

Henrique Raposo | 21:06 |

 

Operação conjunta Atlântico/31 da Armada

Nada a criticar no artigo assinado hoje por Francisco Almeida Leite no "DN" sobre o fenómeno Marcelo 'Ségolène Royal' de Sousa. Bem pelo contrário. Como sempre nos habituou o jornalista em causa, está rigoroso e competente. Apenas um acrescento às minhas declarações: a vídeo-entrevista ao eurodeputado Carlos Coelho, a propósito do seu papel na presidência da comissão que investigou os voos da CIA, é mais uma parceria do blogue da Revista Atlântico e do 31 da Armada e os seus três episódios irão sendo publicados em simultâneo ou em estereofonia. Faltava-me apenas esclarecer este ponto.

Paulo Pinto Mascarenhas | 18:14 | 0 comments

 

Os dois BE's?

A ler o comentário discordante de André Azevedo Alves sobre o poste Os dois BE's. Mas, André, o meu argumento principal não é baseado no facto de "as acusações de Helena Pinto se aplicarem na mesma exacta medida ao blogue onde escreve Joana Amaral Dias".

Paulo Pinto Mascarenhas | 18:08 | 0 comments

 

Let him be!


Ontem, no suplemento Y, li o melhor artigo, da autoria de Stephen Hunter, sobre a já eterna questão do Oscar que falta a Scorsese e também uma excelente análise ao mais recente filme do realizador.


Será injusto entregar o prémio a Scorsese por uma obra menor? Sim, é injusto para Scorsese que um prémio que há muito lhe é devido pareça um favor da Academia, um prémio de carreira antecipado. No entanto, dêem-no. Scorsese deseja-o e seria bom que tivessem a gentileza de o livrar de um estigma que muito tem pesado nos seus últimos filmes. "Entre Inimigos" é um desses exemplos. Não é um filme académico, no sentido Miramax do termo, mas não é Scorsese vintage. É um regresso às ruas, mas as ruas não são as dele e mesmo que fossem o problema não mora aí. Neste filme, Scorsese quis trabalhar um enredo, território pouco explorado na sua obra. Quis fazer um filme competente e escorreito, como muitos dos realizadores que ele tanto admira fizeram nos anos 40 e 50. Um artista a querer provar que pode ser artesão; um Ronaldinho rendido à superioridade ética do trinco; enfim, um génio espartilhado pela ditadura da competência, à qual se submete por vontade própria. No que à arte diz respeito, a competência é o talento dos medíocres.


Nos filmes de Scorsese só cabe a vida inteira. Um simples enredo não chega para o realizador que ele é. Scorsese é narrador de percursos, de ascensões, quedas e redenções. Não é o tarefeiro a quem se peçam filmes d'hór-i-meia, planos eficazes, trabalho despachado e adeus-até-à-próxima. Dos seus filmes diz-se que são "character driven" porque a narrativa obedece às personagens e não aos truques do argumento. As personagens não estão submetidas às necessidades da intriga, seguem apenas as suas pulsões, quase sempre auto-destrutivas, das quais apenas uma muito católica ideia de redenção as pode salvar.


A humildade de Scorsese, o seu respeito e reverência pela memória do cinema e a sua necessidade de reconhecimento têm-no impedido de, por vezes, filmar à altura do seu verdadeiro talento. Por isso, dêem-lhe o Oscar e deixem-no ser Scorsese.


Bruno Vieira Amaral | 18:06 | 0 comments

 

Sinto-me Frágil

Serve este poste, ainda ligeiramente estremunhado, para agradecer em primeiro lugar ao Frágil a cedência do espaço para a bela festa de ontem (obrigado, Ana Carolina e Rodrigo). Depois, para aplaudir os três fabulosos dijays da noite - eram quatro, como nos Três Mosqueteiros, mas o Nuno Miguel Guedes teve um percalço de última hora de que espero as melhoras rápidas (abraço!). Eduardo Nogueira Pinto, Francisco Mendes da Silva e Nuno Costa Santos são estrelas dos pratos (ainda se diz assim?) e arrastam atrás de si uma legião de admiradoras e fãs dos mais diversos sexos (sim, neste caso, faz algum sentido falar dos mais diversos sexos). A festa teve várias estrelas presentes mas só vou falar do grande Zé Diogo Quintela para o lembrar de que me prometeu ontem um texto para o Diário do próximo mês - e tratarei de insistir quantas vezes forem necessárias para que o comprometido seja devido (não espero aliás outra coisa dos Gato Fedorento). Finalmente, daqui vai um abraço amigo para todos os atlânticos e 31 da Armada - e de todos os outros blogues com especial menção à Isabel Miss Pearls e Corta-Fitas - que lá puderam ir e a quem não dei a atenção devida. Mas eu também estava em festa, pás!

Paulo Pinto Mascarenhas | 17:44 | 1 comments

 

Nice to meet you

A manhã vai linda e gélida. A festa esteve quente. A música foi superiormente dirigida por Nuno Costa Santos, Francisco Mendes da Silva e Eduardo Nogueira Pinto. As meninas estavam lindas. Vasco Rato exibiu um ar negligée chic; Henrique Raposo teve a melhor ideia mas ainda é cedo para falar dela; a Laura e as suas melhores amigas revelaram-se mais conservadoras do que podia expectar-se; o Fato vestiu a sua melhor t-shirt com rainbow para se sentir mais integrado e amigo do próximo; PPM foi um sucesso de director, cumprimentado por admiradores que desconhecia; Luciano fez furor; um americano muito alegre osculou as faces puras de Vasco Rato, o que não surpreende considerando o espírito atlantista da noite; Rui Ramos e Lucy saíram cedo em demanda da Serra; Rodrigo de Deus pareceu um pouco distante, como é habitual Nele. Nice to meet you all.

vc | 12:01 | 1 comments

 

sexta-feira, janeiro 26, 2007

 

Os dois BE's




O caso "Deputada Helena Pinto vs Blogue do Não" (BdN) - para além do patético da ignorância da deputada sobre os mecanismos formais da blogosfera e da internet, a começar pelo natural funcionamento em rede das mais diversas tendências - desmontrou a existência de duas linhas políticas antagónicas no interior do Bloco de Esquerda. São dois partidos diferentes que estão em conflito intestinal. Preferia não acreditar que tivesse sido Daniel Oliveira a aconselhar a deputada a escrever a carta acusatória contra o BdN - porque o tiro no pé é monumental e afinal DO sabe bem que o facto de se lincar entre blogues não quer dizer concordância ou sequer simpatia, mas um convite ao debate ou ao confronto, que demonstra a mais livre das tolerâncias democráticas.

Quanto à demonstração de que existem dois BE's - e simplificando - poderia dizer que há um bloco de esquerda de Francisco Louçã - aberto à intolerância dos extremos, desde que sejam "fraturantes" - e outro bloco de esquerda, de um pequeno grupo de dirigentes, em que se incluem Joana Amaral Dias, Miguel Portas - e, presumo ainda, Daniel Oliveira. Este segundo BE, ao contrário do primeiro, é moderno e europeu, quer atingir o poder e já está integrado no regime democrático. Não o quer, nem nunca o quis, mudar radicalmente. E conhece os seus mecanismos comunicacionais. O primeiro, de Louçã, defende como destino crescer na oposição pela oposição e ninguém o pareceu convencer até agora de que os partidos só têm interesse para a maioria dos eleitores se estiverem em condições de executar políticas que possam beneficiar directamente a sua situação. O que só se consegue com uma perspectiva de poder, mesmo que a longo prazo.

A carta de Helena Pinto a Francisco Sarsfield Cabral - um anacronismo esta pré-internética carta aberta, dirigida a quem no caso escreve num blogue, quando vivemos na época dos emails - não contaria certamente com a concordância de JAD e Portas. Ou, presumo ainda, de Daniel Oliveira. É incompetência política de mais para ser verdade.

Paulo Pinto Mascarenhas | 19:56 | 8 comments

 

Dá para passar isto ou vão continuar a insistir em Tony Carreira?!

A pedido de milhares de famílias, entre as quais fiéis do TV Rural.

Bernardo Pires de Lima | 19:50 | 0 comments

 

Mortos

Só leio gajos mortos. Por norma, atenção (confesso que já li um parágrafo de Saramago e uma epígrafe de Rebelo Pinto). Quando leio vivos, fico sempre com saudade dos mortos.
Porquê ler um vivo incerto, quando tenho centenas de mortos certos? Se tivesse vida eterna, tudo bem. Mas, dado que não sou um elfo, tenho mesmo de escolher. Prefiro os mortos. Até porque não fazem birra quando são criticados.

Henrique Raposo | 18:03 |

 

Lisboa

Os partidos menos à Esquerda continuam a dar cabo da reputação da Direita. O caos instalado em Lisboa abre portas para que PS e BE tomem conta da capital por largos anos. De resto, a utilização da autarquia como balão de ensaio para outras experiências (Soares, Sampaio, Portas, Lopes e Carrilho) vai destruindo qualquer estratégia ponderada de médio prazo que salve a cidade da margem.

vc

vc | 17:18 | 0 comments

 

Atirem-me água benta

Caro Paulo Tunhas,

Em primeiro lugar, o facto de a Igreja não te incomodar não te dá o direito de afirmar que, incomoda ou deixa de incomodar, milhões de portugueses, tal como a mim o facto de me incomodar não me dá o direito de dizer que incomoda milhões de portugueses. Mas, se pegássemos no teu argumento também diria que existem várias organizações que têm, na minha opinião, pouquíssima influência e que me incomodam e, provavelmente, incomodam milhões de cidadãos.

O facto de a Igreja defender ou não legitimamente o que defende é um argumento que pode ser aplicável a qualquer outra organização que defenda legitimamente os seus ideais, e, tenho a certeza, que há organizações que combates e que não afectam directamente a tua pessoa.

Não me parece – se estiver errado, desculpa – que não apelidarias de pueril, um cidadão que se dissesse anti-fascista ou anti-comunista e, no entanto, a influência social destes movimentos é, hoje, muito limitada.

O cidadão que assina é anti-clericalista como é anti-comunista ou anti-fascista. Ou seja, o meu conjunto de valores não se coaduna, mais, está em clara oposição aos valores que estas organizações defendem. Claro está que não te vou incomodar com o manifesto dos meus valores: nem tu estarias interessado nem interessam à discussão. O que importa é que, a Igreja defende um conjunto de princípios e comercializa um determinado tipo de produtos: os princípios não são os meus e os produtos não me interessam. Porém, o facto de não me interessarem, não me tira o direito de falar sobre eles sempre que me pareça apropriado.

Graças a Deus não temos censura nem indexes.

Um abraço e até logo


Pedro Marques Lopes | 16:42 | 2 comments

 

SALA OESTE C

Uma das primeiras coisas que me surpreendeu quando comecei a ler blogs foi a existência de anti-clericais militantes. Há blogs inteiros dedicados à questão. A coisa pareceu-me vir de outro mundo. Filho de pais ateus, não-baptizado, e sem nunca ter suspeitado da existência de Deus, conheci dois ou três padres durante a vida, no princípio da adolescência, na casa de amigos católicos – “bem”, como dantes se dizia - com quem algumas vezes passei férias. Nunca simpatizei com os padres, que achei sempre, entre outras coisas, metediços, mas também nunca concebi por eles particular detestação. E o mesmo se passa, em grosso, com a doutrina da Igreja. Mesmo simpatizando com Bento XVI, ela é-me em boa parte alheia. Mas não me passa pela cabeça converter a Igreja aos meus propósitos, nem dissuadi-la de nada. Menos ainda: exterminá-la. Houve tentativas antes, e falharam. Não imagino o que me garantiria o sucesso.

Claro que a questão do referendo piora as coisas. Vários padres teceram comentários primários sobre o problema em questão. Do meu ponto de vista, que vou votar “sim”, é preciso combatê-los; e, do ponto de vista de quem vai votar “não”, ainda mais, porque corrompem os bons argumentos que o "não" possui. Tal como quem vai votar “sim” se deve demarcar da demagogia do Bloco de Esquerda, ou das fatídicas “intervenções cívicas” de Maria João Pires. Exactamente pelas mesmas razões.

Mas não é o referendo que interessa, é o anti-clericalismo. É mesmo uma surpresa. E surpresa, antes de mais, pela puerilidade. Como se se quisesse ser heróico, com justiça vingadora, a abrir portas abertas. A Igreja tem a influência que tem onde as pessoas maioritariamente a desejam e albergam. Fora disso, pouquíssima. E, numa certa esfera, nenhuma. A Igreja não incomoda em nada a minha vida, como não incomoda em nada a vida de milhões de outros portugueses. Que têm toda a razão para a aceitar como é: uma realidade distinta deles, que defende legitimamente o que defende, mas que podem manter à distância.

Volto à palavra: “puerilidade”. E lembro-me do longínquo ano de 1986. Foi um ano bom. O British Council deu-me, graças à boa-vontade do meu padrasto e de Corino de Andrade, uma bolsa de seis meses para investigar uns problemas metafísicos que eu nem digo na Biblioteca da Universidade de Cambridge. Uma tarde fui ao quarto de banho. Nas paredes cheias das inevitáveis inscrições pornográficas, acompanhadas das ilustrações mais pertinentes, um espírito particularmente excêntrico escrevera: “Não sei como há tanta gente a perder tempo com isto quando podia estar a ler Schopenhauer na sala Oeste C”. A sala Oeste C era a óptima sala dos livros de filosofia. Mas podia ser outro autor e outra sala qualquer, que a recomendação continuava a valer para a puerilidade anti-clerical actual.

Paulo Tunhas | 14:49 | 2 comments

 

Bichos Carpinteiros tem ligações fascistas


Carta aberta à Dra. Joana Amaral Dias:

Apesar das nossas divergências de opinião, foi com estranheza que a vimos associada ao blogue "Bichos Carpinteiros". Acontece que o "Bichos Carpinteiros" é uma cortina para ligações a artigos e sites de dirigentes da extrema-direita com uma lamentável história de promoção do ódio e onde são recomendados artigos de dirigentes da Frente Nacional e do PNR, com incitações ao ódio racista e elogios a Hitler.
Por exemplo, o blogue "Último Reduto", recomendado no "Bichos Carpinteiros", pertence a Pedro Guedes, cabeça de lista do PNR nas últimas eleições europeias.
Tal como o problema foi tão bem colocado pela sua camarada Helena Pinto, estamos certos de que também neste caso, existirá, da sua parte, uma demarcação a tão reprovável companhia. Estamos certos ainda de que não apoia esta ligação sinistra aos blogues geridos por dirigentes da Frente Nacional e do PNR.

Com toda a consideração,




Paulo Pinto Mascarenhas | 12:47 | 2 comments

 

Tiago,

não fiz aquele post por causa do caso de ontem. Se quiseres, este caso é só mais uma gota e o pretexto último, não o principal, para o que escrevi. Como podes bem ver. Não estou a basear a minha posição no facto de alguém da CML estar metido ao barulho num caso de justiça. Não é isso. Aliás, estou de acordo contigo quanto ao resto.

Mas o que se passa é que, com ou sem caso judicial, este executivo não tem, há muito tempo, legitimidade política junto das pessoas. Dir-me-ás, seguindo Carmona: “não existir qualquer condicionamento legal ou político à normal prossecução do mandato". Mas a democracia, vista neste sentido processual, tem limites. Carmona até pode ter a legalidade processual do lado dele. Mas perdeu a legitimidade política. É apenas uma alínea legal que sustenta um governo sem o respeito do eleitorado. E sabes porquê? Por uma série de casos e razões anteriores, o Vitor Cunha tem razão: Lisboa está à deriva, sem um executivo que executa. Isto parece-me razão mais que do suficiente para, pelo menos, pensarmos no assunto.



abraço,

Henrique



PS: em relação ao duplicado. Quando aparece a indicação que houve um erro, não ligues. Abre outra janela e entra outra vez no Blog. Faz refresh e vais ver que a coisa está lá.

Henrique Raposo | 12:10 |

 

Homem duplicado, duas vezes em desacordo com o Henrique

Caro Henrique,

Desculpa, mas só vi o teu post depois de ter colocado o meu.
E como ele foi em duplicado é razão para dizer: homem duplicado, duas vezes em desacordo com o Henrique.
Isto é a República Democrática: dois amigos discordam publicamente, continuam amigos, não arguidos e livres (definição estilo muito simples).
Por ela bater-me-ei até à exaustão.
Um abraço

Tiago Moreira de Sá | 11:44 | 0 comments

 

Apelo

Na sequência do pedido feito pela emérita deputada do Bloco de Esquerda, Helena Pinto (UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resistência), para que Francisco Sarsfield Cabral saia do Blogue do Não, alegadamente porque este teria ligações a blogues que têm ligações a outros blogues de "extrema-direita", venho por este meio pedir aos meus amigos Vasco Rato e Pedro Marques Lopes para que saiam imediatamente do Blogue do Sim, uma vez que este tem comprovadamente ligações ao Bloco de Esquerda, pelo menos através do Daniel Oliveira, o qual tem ligações através do Bloco de Esquerda a militantes do mesmo que são publicamente contra a democracia burguesa e lutam ainda pela ditadura do proletariado.

Paulo Pinto Mascarenhas | 11:18 | 4 comments

 

A República dos Juízes

Vasco Pulido Valente defende hoje no Público que deve haver eleições antecipadas na Câmara Municipal de Lisboa. Entre as razões elencadas algumas são de fundo e dão que pensar. Sobretudo as que têm que ver com as consequências para o PSD do lento esboroar do Executivo da C.M.L.
Embora concorde com VPV neste ponto, gostaria de introduzir mais uma linha de análise.
A demissão do executivo camarário e a realização de eleições antecipadas pelo facto de uma vereadora (ou mesmo 2) ter sido constituída arguida é um perigoso precedente que pode levar à substituição da República democrática, baseada na soberania popular expressa através do voto livre, por uma República de Juízes.
Imagine-se que amanhã um ministro, ou um secretário de Estado, é constituído arguido. Deve o Governo demitir-se? A lógica é a mesma pelo que a resposta coerente é: sim. E é fácil antecipar a pressão esmagadora para que tal aconteça num caso destes.
Recordo aqui que o PSD tem maioria absoluta na Assembleia Municipal por vontade livre dos cidadãos de Lisboa.
É o voto popular que deve determinar quem governa e não o sistema judiciário.
Este é daqueles casos que sabe-se como começa mas não se sabe como acaba. Abrir este precedente pode tornar o País ingovernável.

Tiago Moreira de Sá | 11:15 | 0 comments

 

Trotsky na CML

O executivo da CML não tem condições políticas para governar. Pode ter legalidade processual, claro, mas não tem um pingo de legitimidade política para governar. Mas a oposição não pressiona. "Para quê? Estamos aqui tão bem, no quentinho, a ganhar o nosso". Do PS, então, nem um pio. Tem a cidade à sua mercê, mas não mexe um dedo. Porquê? Para não alterar o mapa eleitoral do partido e do governo. Eleições na capital poderiam ser imprevisíveis, visto que estamos já bem próximos das legislativas.
Em Lisboa, todos os partidos sem excepção seguem a velha máxima comunista: tudo pelo partido, nada contra o partido, tudo pelo tacho, o último que feche a porta.

Henrique Raposo | 10:54 |

 

Descubra as Diferenças



Às 7 e 10 de hoje pode ligar a sua rádio em 90.4 FM na Rádio Europa e ouvir Pedro Marques Lopes e Rodrigo Moita de Deus ao desafio sobre o caso Bragaparques na Câmara Municipal de Lisboa e não só mas também; a entrada em força de Marcelo Rebelo de Sousa na campanha para o referendo ao aborto e o regresso anunciado de Paulo Portas ao CDS, entre outros comentários corriqueiros sobre a adesão esforçada de Vasco Rato e do próprio Marques Lopes ao blogue do Sim, mais o Assim Não de Marcelo (e Deus?); para além da rejeição pelo PS do pacote anti-corrupção de João Cravinho. A directora da Europa Antonieta Lopes da Costa e moi-même como director da Revista Atlântico também não calamos as nossas vozes perante as injustiças do mundo. Ali, o silêncio não é de ouro.

Emissão também disponível online em www.radioeuropa.fm
ou através da powerbox da TV Cabo





Paulo Pinto Mascarenhas | 10:41 | 0 comments

 

A grande estratégia

RUI RAMOS
(PÚBLICO 24/01/07)




Somos uns ingratos. O primeiro-ministro põe o seu melhor fato e o seu melhor teleponto para nos anunciar a estratégia que vai finalmente fazer de nós um “país mais culto e qualificado” – e isto, em sete anos e com apenas 45 milhões de euros. E nós, sem consideração, arranjamos maneira de criticar, descrer e gozar. Imagino o tempo gasto a preparar o Quadro de Referência Estratégico Nacional. Adivinho o empenho com que se apuraram as fórmulas, ou a ansiedade com que se previram as reacções. Tudo isto, para quê? Será consolo para José Sócrates saber que está em ilustre companhia, entre os visionários escarnecidos por esta nação incorrigível?



Há precisamente 120 anos, em 1887, o escritor J.P. Oliveira Martins apresentou na Câmara dos Deputados o seu QREN, sob a forma de um Projecto de Lei de Fomento Rural. Também ele queria aproveitar o potencial dos portugueses. Só que em vez de mestrados e cursos de formação, pretendia dar-lhes terra para cultivarem. Sim, os tempos eram outros. A ideia de Oliveira Martins consistia em fixar a população excedentária do norte do país nos campos subaproveitados do sul, em pequenas quintas viabilizadas pelo regadio. Oliveira Martins desejava, como toda a elite sua contemporânea, modernizar o país. Mas sabia que não chegava converter os portugueses às ideologias modernas. Era preciso mudar as suas condições de vida, torná-los mais ricos. E para isso, Oliveira Martins propunha-se fazer de Portugal uma “colmeia rural”, em que a maioria da gente tivesse emprego em propriedade própria, e o território fosse uniformemente valorizado. Como foi então acolhido o seu plano? Para uns, tratava-se de uma fantasia, já que não havia dinheiro para as necessárias obras hidráulicas no Alentejo. Para outros, era uma farsa: Oliveira Martins procuraria apenas protagonismo para chegar a ministro.



Desde há décadas, que os governos e as luminárias da nação se dedicam afincadamente a gastar dinheiro para ajudar o futuro a nascer. Abundaram sempre os QRENs. E há algumas décadas que os seus objectivos, por entre variações de vocabulário e contexto, são os mesmos. A memória corrente reteve as proclamações de Cavaco Silva no fim da década de 1980. Mas recuando mais no tempo, encontram-se estas grandes prioridades: “aceleração do ritmo de crescimento do produto nacional; repartição equilibrada do rendimento; correcção progressiva dos desequilíbrios regionais de desenvolvimento”. Não, não é uma citação do QREN de Sócrates nem das Grandes Opções do Plano de Cavaco Silva, mas do III Plano de Fomento de Salazar, publicado em 1967. Nas considerações desse Plano, lamenta-se já a de “formação profissional” dos portugueses, e a ineficiência da administração pública, cuja “rotina” e “burocracia” podem “comprometer iniciativas públicas e privadas que exigem celeridade”. O grande horizonte, em 1967, era claro: “alcançar o mais rapidamente possível os níveis de desenvolvimento da Europa Ocidental”, através de uma “reconversão da economia”. Já éramos assim há 40 anos.

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Não reparamos nisto porque gostamos de reduzir a nossa história recente a uma sucessão de cortes e saltos salutares, do capitalismo para o socialismo (com o PREC), ou das ditaduras para a democracia (com o actual regime). Andamos sempre, como fez Sócrates na apresentação do QREN, a “cortar com a cultura do passado”. Para que servirá então lembrar a longa tradição do nosso desenvolvimentismo de Estado? Para demonstrar que nada mudou? Não, Portugal mudou. Só que nunca mudou como os seus dirigentes políticos, por entre largas despesas, previram e planearam. Os que, no século XIX, procuraram criar condições para uma “colmeia rural” nunca imaginaram a industrialização do século XX. Os que, nas décadas de 1940 e 50, contaram com uma indústria que sobretudo substituísse importações, foram surpreendidos pelas exportações de vestuário e calçado depois da entrada na EFTA. Quem pensou em explorar esse filão com a adesão à CEE, viu-se confrontado na década de 1990 com o seu definhamento, e com a expansão dos serviços e da construção civil – uma mudança que comprometeu os ritmos de crescimento económico do passado. Em Portugal, o que estava previsto e planeado quase nunca aconteceu, e o que aconteceu quase nunca foi previsto e muito menos planeado. Por isso, tudo aquilo que verdadeiramente se passou, desde a industrialização até à urbanização, passou-se “desordenadamente”, à revelia dos planos e mesmo fora da lei. Até hoje, os governos andaram sempre a tentar mudar o país em meia dúzia de anos. Talvez fosse preferível tentarem compreendê-lo.

Artigo de opinião publicado quarta-feira no "Público".

Paulo Pinto Mascarenhas | 10:07 | 0 comments

 


EDIÇÃO Nº 25

ABRIL 2007

...

A NOSSA REVOLUÇÃO DE ABRIL - A SÉRIO E A BRINCAR
por RUI RAMOS E 31 DA ARMADA

O MAIS IMPORTANTE AINDA ESTÁ POR FAZER!
por ANTÓNIO CARRAPATOSO

A VELHA EUROPA E A NOVA INTEGRAÇÃO EUROPEIA
por VÍTOR MARTINS

DOIS ANOS DEPOIS
por JOÃO MARQUES DE ALMEIDA, LUCIANO AMARAL e PAULO PINTO MASCARENHAS

COMO O ESTADO MATOU O COZINHEIRO ALEMÃO
por PAULO BARRIGA

O PACTO
por PEDRO BOUCHERIE MENDES

ERC

Inquérito Atlântico

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Rádio Europa

Descubra as Diferenças»

Um programa de opinião livre e contraditório onde o politicamente correcto é corrido a 4 vozes e nenhuma figura é poupada.

Com a (i)moderação de Antonieta Lopes da Costa e a presença permanente de Paulo Pinto Mascarenhas. Sexta às 19h10.

Com repetição Domingo às 11h00 e às 19h00.

 

Em Destaque

PORTUGAL PROFUNDO

O INOMINÁVEL

JAZZA-ME MUITO

 

Ligações Atlânticas

19 meses depois

31 da Armada

A Arte da Fuga

A Causa Foi Modificada

A Cooperativa

A cor das Avestruzes Modernas

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[A Mão Invisível]

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Arrastão

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A Vida em Deli

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